quinta-feira, 15 de julho de 2010

Crianças de Playground - Sandro Gaia

Estale os seus dedos pra eu saber que você já se acordou pra mais um dia de sonhos nessa selva de pedra que a gente se acostumou.

O nosso Odyssey só tem dois jogos, mas pra nossa época, isso não é problema não. Pedaços de papel se transformam em bolas. Não há limites pra imaginação, meu irmão.

Na era do início da computação. Você de Hotbit e eu de violão. Sábado era dia de ter competição. Esperamos nosso amigo que traz a diversão. Entre jogos de guerra que duram o dia inteiro, se houver tempo ainda vai ter campeonato de botão.

A vista aqui de cima é bem legal. Depois da chuva vamos pro parque brincar. Andar de autopista, brincar no fliperama, quando voltar pra casa ainda vou pular na cama.

Quem disse que crianças de playground não são felizes.

Não conhece a nossa história. Tornávamos reais as coisas mais ilusórias.

Quem disse que crianças de playground não são felizes.

Não brincávamos na terra, mais os sonhos são mais vivos quando próximos do céu.

A nossa rua era o nosso corredor e a janela do vizinho o nosso abajur.

Portas eram traves, fotos treinadores e os outros edifícios eram nossos torcedores.

Cuidado que a mamãe pode chegar. Ela é o nosso juiz e a brincadeira pode acabar. Mas o interfone nos avisa do perigo. Quem não tem muitos colegas, conta com um vigia amigo.

O elevador é implacável e chega num minuto. Vamos agir rápido e arrumar logo isso tudo. Mamãe abriu a porta e o que conseguiu flagrar... Foi um vendo tv e o outro dormindo no sofá.

Quem disse que crianças de playground não são felizes.

Não conhece a nossa história. Tornávamos reais as coisas mais ilusórias.

Quem disse que crianças de playground não são felizes.

Não brincávamos na terra, mais os sonhos são mais vivos quando próximos do céu.

E mesmo com o tempo em nossa frente foi difícil perceber que aquilo tudo um dia ia acabar

pra gente. A realidade dura era invisível como o tempo.

Nossa dimensão de mundo era o nosso apartamento.

A janela da cozinha em que eu via a minha escola mostra agora o meu passado que foi deixado lá fora. Nunca tivemos varanda nem tivemos quintal. Mas éramos felizes crianças de playground.

Estale os seus dedos e acorde novamente pro sonhe em que a cidade fica sobre os nossos pés.

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